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semibreve
por dora guerra 
edição 114 ✶ enviada em 27-07-2022
bom dia! voltei na tábua da beirada do mês, mas voltei.
a minha ausência na semana passada pode ter dois motivos (escolha o seu preferido): 1) eu estava de mudança, sofrendo de estresse pra escolher UMA escrivaninha; ou 2) me inspirei na beyoncé, que disse que tava de volta, mas soltou uma música e nunca mais. a ausência faz as pessoas sentirem sua falta... certo?


hoje queria mandar um beijo especial pros alunos de comunicação da ufmg que vieram parar por aqui, não porque foram forçados, mas porque escolheram assinar a semibreve por livre arbítrio. vocês são lindos, gostosos e espero que nunca cancelem a assinatura.

vamos de?


nesta semibreve vocês irão encontrar: nada além de eu mesma maluca com o novo disco da beyoncé porque eu só penso nisso diariamente
semana passada pedi:
uma música dançante
ana luísa de medeiros recomenda t-ara - holy poly
alexandre calderero indica faz fumaça - mateus carrilho
ramiro ribeiro manda funkytown - lipps inc
vitor tavares recomenda tasty - shygirl
letícia azevedo vem com essa versão de i feel love - mr belt & wezol, bendah, limited life
fernanda yasmin indica baile de máscaras (recarnaval) - bala desejo
maria luísa rodrigues recomenda buffalo bil - mc bil e bolinho
giovanna pedrosa vem de JEWELZ - anderson .paak
milena antunes manda ela joga - lamparina
sergio correa indica the man with the red face - laurent garnier
o que tá rolando
– notícias do mundo musical em tempo quase real
✶ saiu o EP guitar songs, da billie eilish, com duas músicas novas: the 30th e TV

✶ o grammy latino vai homenagear ninguém menos que rita lee; as homenagens vão envolver luísa sonza, manu gavassi, agnes nunes, paula lima e... bom... giulia be. realmente, menina solta é a cara de ritinha.

✶ segue aqui a lista de indicados ao VMA 2022, que inclui até anitta. se é que você se importa com indicados ao VMA hoje em dia, né. mas parabéns pra anitta. 

✶ há rumores que a britney spears vai reaparecer cantando simplesmente tiny dancer, ao lado de elton john. amou?
semiagenda
 
vem aí:
coMA festival, de 4 a 7 de agosto (DF);
MECAinhotim, de 12 a 14 de agosto (MG);
rosalía, no dia 20 de agosto (SP);


lançamentos que vem aí:
beyoncé / wiz khalifa / maggie rogers / king princess / calvin harris
você não perguntou, mas eu te recomendo:
minhas descobertas da semana, digamos assim:
  • a nigeriana tems é mais conhecida pelos seus feats do que seu trabalho solo, mas vale conferir a parte dela, também; ela passa pelo neo soul, r&b e derivados, com uma voz deliciosa e brincando com as melodias como se fossem uma superfície dançável. vale ouvir todo o EP if orange was a place, selecionar suas preferidas e voilà
  • talvez você já tenha ouvido falar de mild orange: a banda neozelandesa vai lá no shoegaze, no dream pop, naquela coisa distorcida, psicodélica, etérea, e volta. esse ano, eles já lançaram o álbum looking for space, que é legal... mas pra mim, o foreplay ainda é #especial.
quer deixar uma indicação pra semibreve? manda pra cá!
recomendação muitobreve,
por amélia do carmo
 
pinc louds - la atómica
 
"uma brisa rápida bateu constantemente numa casa cheia de sinos de vento e nasceu esse álbum repleto de micro-felicidades e barulhinhos"
 

elvis fact check: eu achei o filme "elvis" excelente – uma leve espetacularização de uma vida já espetáculo, claro, mas faz parte do jeitinho baz luhrmann. mas vale dizer que a maior parte daquilo é de fato uma invenção ou romantização das coisas. se você viu o filme e quer entender o que é fato e o que é fake, clica aqui (ou salva o link pra depois que assistir).
 
as músicas dessa seção e outras recomendações do mês estarão na playlist jul2022. desculpa, tá no spotify a playlist... mas se você tiver spotify, segue lá. 
 
seção fiona apple
– a "palestrinha"

ela.
 

essa semana – mais especificamente, sexta-feira – sai o novo álbum da beyoncé. eu sempre quis tirar um tempinho pra falar sobre ela.

acho que pra qualquer um que acompanhe de perto a cultura pop, o legado de bey é claro: ao longo do tempo, os infinitos projetos da artista acumulam feitos impressionantes, que sempre ultrapassaram números – mas sempre tiveram os números, também. em sua carreira, beyoncé amadureceu de forma elegantérrima, tirando o seu trabalho da esfera da música e do pop somente. se dando a um luxo que poucos artistas podem (e menos ainda conseguem), beyoncé faz o que quer; mas o que ela quer, no caso, coincidiu em uma reta ascendente que nunca viu uma queda.

ela muda, de fato, a indústria. seguem alguns exemplos:

I. é até doido pensar em single ladies agora. a forma com que aquilo explodiu no youtube – um vídeo simples, minimalista, preto e branco, com três mulheres executando uma coreografia – é extremamente simbólico para tudo que veio em seguida: as dancinhas do tiktok, a vontade de todo mundo de reproduzir uma coreografia, os dance practice videos de grupos de k-pop. não foi a beyoncé quem estreitou a relação entre dança de artista e público, mas single ladies tem uma relação clara com a consolidação do youtube... e provavelmente, tudo que se sucedeu.

II. o icônico BEYONCÉ, o tal "álbum autointitulado", foi uma das coisas mais marcantes do pop do século 21. pra quem não sabe, esse foi o tal do álbum surpresa: lançado sem aviso prévio nem nada, sem estratégia de divulgação. um dia, todo mundo acordou e se deparou com um novo disco da beyoncé, com um clipe por música. ao mesmo tempo que era ambicioso, era inovador – o tipo de coisa que só uma artista desse calibre conseguiria fazer (e que só teria essa dimensão uma vez).

esse lançamento foi tão influente que, até 2013, álbuns novos eram lançados às terças-feiras nos EUA (isso desde os anos 80!). era uma data entendida como funcional porque, assim, as gravadoras tinham o final de semana inteiro para distribuir os novos álbuns às lojas; nas segundas-feiras, as prateleiras seriam atualizadas.

mas os usuários já preferiam ouvir músicas novas no fim de semana – e já estávamos na era digital. quando beyoncé lançou o seu disco em uma sextinha, ela provou que existia muito sucesso possível nessa data; e provocou uma reflexão em toda a indústria estadunidense, global, até.

afinal, foi com o lançamento silencioso-mas-estrondoso desse disco que a indústria fonográfica como um todo se viu obrigada a rever suas datas, convencionando a sexta como uma data global: afinal de contas, não há porque lançar em datas diferentes em países diferentes (a não ser que você realmente QUEIRA que a pirataria role solta).

III. em 2017, beyoncé lança lemonade, álbum que eu considero seu magnum opus. mais um álbum visual, o lemonade foi impressionante em várias frentes: pela vulnerabilidade, pelo visual, pela política, pela pesquisa. foi quando conhecemos beyoncé como uma artista ambiciosa, coesa e conceitual.  musicalmente, o lemonade reforçou uma tendência do pop de se misturar com outros gêneros e se tornar uma entidade cada dia mais colaborativa, fugindo de uma sonoridade única: com acenos a jack white, ezra koenig (vampire weekend), james blake, etc, o lemonade não necessariamente inventou a roda, mas consagrou o melhor da música "mainstream" naquele momento, justamente por buscar fugir do mainstream. 

desde então, foi marco atrás de marco. em seu icônico show no coachella, bey aproveitou de uma oportunidade pra criar um espetáculo à parte, uma autocelebração que se reforçou com um filme na netflix também extremamente bem-sucedido. em black is king, o estrondo é aos nossos olhos, com a beleza avassaladora da áfrica representada por beyoncé. incapaz de dar ponto sem nó, a artista nos deixa com uma expectativa eterna do inesperado-que-beira-a-perfeição, porque esse é o mundo artístico que ela construiu – inigualável, inquestionável, intocável.

-

em tudo que faz, beyoncé encara seu trabalho como arte: cede mais à trajetória de sua própria vida e ao mundo que a cerca do que às novas tendências. ela é uma íntima estudiosa do que a precede, se curvando a fela kuti, sun ra, grace jones, donna summer. no caminho para se tornar uma artista cada vez maior, ela busca honrar cada figura que pavimentou o caminho – explorando ao máximo a narrativa que conta, a proporção de suas performances e principalmente, a plataforma que tem. 

beyoncé entende que, em cada projeto ela pode fazer muito mais que o convencional, tendo somente a si mesma para superar. não é só pela estética, pelos números, pelo sucesso. beyoncé tem bandas formadas somente por mulheres negras; divide o holofote e as capas de álbuns com seus dançarinos, com figuras importantes de todas as épocas, sempre feminista, sempre orgulhosa de suas raízes negras. a mensagem dela nunca deixa de ser coerente.

e ela não precisava provar mais nada a ninguém. mas segue provando, o tempo todo, incontestavelmente.

seção colaborativa*
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