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Olá!

O crescimento do conservadorismo no Brasil é marcado pelo reforço de hierarquias raciais e por políticas que ampliam a exclusão e intensificam desigualdades. A estrutura racializada herdada de uma abolição inconclusa tem impactos nas relações sociais e na construção de estereótipos discriminatórios. São diversas as encruzilhadas para uma prática criativa no enfrentamento de retrocessos. A luta antirracista tem sido marcada pela articulação de diversas estratégias por parte dos movimentos negros que passam pela defesa de políticas de acesso à universidade, pelo advocacy internacional contra leis que possuem efeito direto no aumento dos homicídios de pessoas negras e periféricas, bem como pelo uso de uma estética de valorização da identidade negra e da música como instrumento político para dar visibilidade às práticas racistas de sujeitos brancos. Nesse cenário, é também urgente refletir sobre o racismo não como um problema exclusivo da população negra ou indígena, mas que implique sujeitos brancos na sua responsabilidade por meio de reflexões promovidas em conjunto pelos movimentos negros que são os protagonistas dessa luta. Assim, convidamos você a pensar a partir das diversas práticas desses atores sobre caminhos possíveis para construção de uma luta em direitos humanos que seja antirracista.

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Um abraço,

Luísa Luz, Raquel da Cruz Lima e Surrailly Youssef

A luta antirracista transnacional ★

Em 9 de maio, 14 ativistas do movimento negro brasileiro de diferentes setores da luta antirracista no país participaram da audiência da Comissão Interamericana de Direitos Humanos chamada "Sistema Penal e denúncias de violações dos direitos das pessoas afrodescendentes no Brasil”, ocorrida em Kingston, na Jamaica. Além de ter sido uma oportunidade de denunciar o pacote de medidas defendidas pelo Ministro Sergio Moro que pretendem modificar a legislação penal no sentido, por exemplo, de inocentar policiais que tenham assassinado uma pessoa sob “escusável medo, surpresa ou violenta emoção”, a audiência reforçou a importância da articulação internacional para o movimento negro. Em um momento em que os canais de diálogo do movimento negro com o Estado brasileiro estão fechados, é proveitoso lembrar do legado e dos aprendizados de outras experiências de incidência internacional para o avanço da luta antirracista. Nesse sentido, a Conferência de Durban, na África do Sul, em 2001, é uma referência fundamental por ter resultado no fortalecimento do discurso pela adoção de cotas raciais em serviços públicos e universidades brasileiras. Se o constrangimento internacional será, de fato, uma das principais ferramentas de pressão, o legado de Durban sobre a construção de políticas reparatórias para os povos vítimas do escravismo deve ser incansavelmente retomado. Leia o relato dessa experiência no Alma Preta e assista o vídeo sobre as audiências da CIDH na Jamaica. 

Educação com sacrifício e o significado social das políticas afirmativas ★★

Quebrando a formalidade esperada de um periódico acadêmico, Anderson Pereira narra em primeira pessoa sua trajetória como aluno da rede pública de um bairro pobre de Belém até chegar a um dos principais programas de pós-graduação em Antropologia Social, no Museu Nacional da UFRJ. Anderson aborda pontos importantes da discussão sobre ações afirmativas, oferecendo ao leitor uma visão sensível sobre como as limitações socioeconômicas e o racismo impactaram sua trajetória de estudante. Dentre os aspectos que sua narrativa explicita sobre a importância de garantir a educação de jovens negros no Brasil está o impacto da inclusão de estudantes optantes ao ensino superior sobre o seu entorno e família, já que alcançar tal posição inédita tem uma importância e significado social relevantes, inclusive no que diz respeito às perspectivas de mudanças estruturais. O relato contraria os argumentos anticotas que alegam desinformadamente se tratar de uma medida que reforça exclusão e racismo ao fazer o leitor refletir sobre os desafios, sacrifícios, dificuldades de acesso e racismo sofridos pelo autor, e sobre o apoio imprescindível de sua família e comunidade na tentativa de conseguir garantir sua educação. Leia aqui

Eminência Parda: a música como estratégia de luta ※

"Não tem dor que perdurará

Nem o teu ódio perturbará

A missão é recuperar

Cooperar e empoderar"

Emicida explica que "em política, eminência parda é o nome que se dá quando determinado sujeito não é o governante supremo de tal reino ou país mas é o verdadeiro poderoso". O clipe de Emicida, em parceria com Dona Odete, Jé Santiago e Papillon, é uma crítica clara aqueles que ainda afirmam que não existe racismo no Brasil e principalmente uma provocação para que a branquitude repense seu papel na luta contra o racismo. A partir da narrativa da história de uma família negra que vai ao restaurante comemorar o ingresso de sua filha no ensino superior e é cercada de olhares discriminatórios de pessoas brancas, Emicida reconstrói uma série de estereótipos raciais e de gênero herdados da estrutura racializada dos anos da escravidão. Retomando referências como "Canto dos Escravos", o clipe é um convite a pensar sobre as diversas linguagens usadas como estratégias de luta pelo movimento negro para "cooperar e empoderar". Ouça a música

Desconstruindo privilégios e o lugar das pessoas brancas na luta antirracista ★★★

    Em artigo para a Revista SUR, Denise Carreira, do lugar de uma mulher feminista, branca e educadora popular, propõe uma reflexão complexa sobre a importância das pessoas brancas e das instituições de defesa de direitos humanos se engajarem na luta antirracista, a partir de articulação com movimentos negros e indígenas que são protagonistas dessa luta. O racismo marca estruturalmente a distribuição desigual de recursos e de acesso à oportunidades e tem reflexo nas mais diversas relações sociais, porém a discussão do racismo é comumente atrelada a um problema das pessoas indígenas e negras, afetando a construção de alianças possíveis de enfrentamento que provoquem transformações reais. As discussões de combate ao racismo devem implicar de fato as pessoas brancas e as instituições a assumirem responsabilidades para além da solidariedade e apoio à luta política dos movimentos negros. Isso passa por rediscutir a cegueira social de parte da branquitude - que também apresenta diferenciações internas - incapaz de perceber que fomos educados para não nos reconhecermos como pessoas brancas, mas como seres humanos que representam uma universalidade e um lugar de poder. Leia aqui

"A valorização da estética negra é política" ※

No curta documental "Lacry, histórias da geração tombamento", Beatriz Moreira (estudante), Thata Alves (escritora), Ilunga Malanda (modelo) e Rafaela Romano (designer de moda) discutem como a ideia da geração tombamento e a noção de lacre se relacionam com a perspectiva de fortalecimento político do movimento negro e empoderamento das mulheres negras, por meio da expressão de valores de forma estética. A moda comunica e expressa uma forma de pensar e a utilização de adereços próprios da herança cultural africana, a valorização do cabelo e da beleza negra são mecanismos identitários de reconhecimento positivo da negritude. Outra estratégia é fazer chegar esse discurso às pessoas não engajadas com o movimento político negro, com o intuito de que também tenham acesso ao questionamento do racismo e da desigualdade social. As referências a outros estudiosos negros e aos ambientes culturais e políticos dos saraus amplificam as possibilidades de compreensão das relações raciais no Brasil. Assista o vídeo

Encruzilhadas do litígio estratégico ★★★

Diante do crescente autoritarismo no Executivo e do Legislativo, tem sido sugerido que o litígio estratégico deve estar entre as prioridades das organizações de direitos humanos no Brasil. Pensando nisso, recomendamos a leitura do artigo em que Juliana Cesario Alvim Gomes analisa o potencial do litígio estratégico para contribuir para a transformação social.  Definindo-o mais como um conjunto de atos do que como uma intervenção jurídica pontual, o artigo de Juliana chama atenção para a abertura que o litígio estratégico tem para o exercício da imaginação jurídica e da criatividade. No entanto, alertando para os riscos de o litígio estratégico reforçar hierarquias e desigualdades sociais, ela chama atenção para algumas tensões que o marcam. Uma delas merece especial atenção no atual contexto: se a falta de abertura política para alcançar determinado objetivo leva à busca por decisões judiciais, é possível que as decisões tenham efeitos concretos no mundo real sem a dimensão política? Por conta dos riscos e tensões que o artigo aborda, a autora defende que o recurso ao litígio estratégico deve sempre envolver uma análise complexa, crítica e contextualizada. Leia aqui

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