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Olá!

Nesta edição do correio, vamos falar sobre novas linguagens e metodologias do trabalho com direitos humanos. As mudanças de paradigma para nossas atuações passam pela reforma do modo como vemos e incluímos o outro em nossas agendas. Ouvir a opinião das pessoas e saber contemplá-la em novas estratégias de comunicação, por exemplo. Também olharemos para problemas estruturais de direitos humanos, como a violência de gênero e a pobreza, para repensarmos a limitação das políticas públicas de proteção a defensores e a vítimas. Diante de violações já conhecidas, mas agravadas por uma "nova política" mundial, convidamos você a praticar o autocuidado.

Nos meses de vida do Transmissão, compartilhamos descobertas e ideias, conversamos com defensores de direitos humanos que encantaram nossa visão sobre a prática e dialogamos com um público cada vez mais engajado, especialmente com a iniciativa de criarmos o primeiro podcast totalmente dedicado a falar sobre a prática em direitos humanos do Brasil. Somos gratas ao processo e ao reconhecimento! Em abril, inauguramos uma nova fase com a criação de planos de assinatura no PicPay e nos abrimos à possibilidade incrível do financiamento coletivo das nossas empreitadas de direitos humanos. Convidamos você a pensar sobre a importância da sustentabilidade para a prática ativista e considerar fazer uma doação ou compartilhar suas ideias, sugestões e críticas conosco.

Acompanhe a gente no Instagram, no Facebook ou no Twitter para saber mais. Você encontra nossos episódios do Podcast no Spotify, iTunes, Youtube e no Deezer.

Um abraço,

Luísa Luz, Raquel da Cruz Lima e Surrailly Youssef

Mudanças estruturais para proteger defensores de direitos humanos ★

Dilma Silva, Marielle, Jean Wyllys, Padre Julio Lancelloti, Debora Diniz. É urgente a adoção de uma lei e de políticas públicas voltadas à proteção de defensoras e defensores de direitos humanos no Brasil. Ana Beatriz Anjos, em artigo para Agência Pública, relata os desafios do Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos (PPDDH) para proteger e ao mesmo tempo permitir a continuidade das lutas de militantes, em especial de ativistas em causas socioambientais e de direitos ao território. Além da redução da participação da sociedade civil na formulação da política, redução de recursos financeiros e humanos, um dos principais desafios é promover a articulação de políticas públicas intersetoriais que enfrentem as causas estruturais que sustentam as ameaças aos defensores de direitos humanos, como o reconhecimento do direito à terra e ações  de proteção ao uso sustentável dos recursos naturais. Ademais, um programa para defensores e defensoras exige um olhar para suas particularidades, para que em nome da proteção não se limite ou proíba sua atuação. Leia o texto aqui.

Reelaborando uma pesquisa sobre feminicídios ※

Há um mês, o Transmissão Direitos Humanos assumiu o monitoramento idealizado pelo Jefferson Nascimento sobre os casos de feminicídio divulgados na imprensa. Essa iniciativa do Jeff já foi citada do nosso correio #7  por conta da forma inovadora como ele optou por divulgar os dados no Twitter e do impacto que alcançou. Agora, além de garantir a continuidade da sistematização, queremos promover novas reflexões a partir da pesquisa. Um primeiro aspecto que já temos observado é a criação de diferentes articulações em resposta à grande quantidade de feminicídios, tanto de movimentos de base progressistas quanto de atores conservadores e punitivistas, mostrando que se é aceito que a violência de gênero é um problema social grave, estão em disputa as propostas sobre como lidar com isso. Também temos sentido que o acompanhamento diário de casos de violência de gênero é desafiador para pesquisadoras mulheres, o que deve ser levado em consideração no desenho de metodologias e na adoção de estratégias de autocuidado. Para acompanhar o monitoramento, acesse nosso site.

Construindo estratégias de autocuidado ※

Gabi Oliveira, do canal De Pretas, inspirada pelo artigo da revista SUR “Autocuidado como Estratégia Política", de Ana María Hernández Cárdenas e Nallely Guadalupe Tello, da Iniciativa Mesoamericana de Defensoras de Direitos Humanos (IM-Defensoras), reflete sobre a importância do bem-estar ser compreendido como um direito e não privilégio, em especial pelas minorias. Atenta ao fato de que autocuidado não pode estar necessariamente associado a ter dinheiro ou produzir culpa, Gabi recomenda uma série de estratégias e ações importantes para lidar com um contexto de conservadorismo, restrição de direitos e violência contra grupos minoritários. Mudar sua rotina com atividades de autocuidado pode começar a qualquer tempo, reduzindo o uso de redes sociais, planejando suas atividades, treinando e exercitando sua mente, organizando o ambiente no qual você vive, cuidando da sua alimentação e exercitando seus afetos, afinal trocar afetos pode ser sua válvula de escape em meio ao caos. Assista aqui e repense o que faz sentido para você como autocuidado.

Pela habilidade social de se abrir à experiência do outro ★★

Partindo do princípio de que a empatia é um valor positivo que não significa você se colocar no lugar do outro, mas tentar compreender como o outro se sente, Elizabeth Segal argumenta que a empatia social é a aplicação dessa habilidade à compreensão de grupos e culturas diversas. Ela propõe que desenvolver a capacidade de processar situações de forma empática envolve o seguinte treino: 1. Atentar às suas reações físicas inconscientes aos outros. 2. Ver como você se sente diante dessas reações. 3. Pausar, avaliar e diferenciar as suas emoções e as alheias. 4. Não se deixar arrebatar pela emoção. É importante dar apoio sem estar emocional. 5. Captar o que as emoções e experiências significam para o outro. 6. Compreender o contexto social e histórico que aproximam e diferenciam as duas realidades. 7. Dialogar: a empatia se constrói em diálogo porque ninguém apreende completamente o sentimento alheio. A empatia fornece um guia ao comportamento social positivo por meio da valorização do outro que, para a autora, é um requisito para a luta por justiça. Leia o artigo aqui.

Como é percebida a desigualdade no Brasil ★★

Em mais de um correio já recomendamos textos e podcasts que afirmavam que a atuação em direitos humanos deve enfrentar os problemas estruturais. Por esse motivo, achamos fundamental a pesquisa realizada pela Oxfam Brasil com o Instituto Datafolha em fevereiro de 2019 sobre a percepção das desigualdades. É interessante observar a grande adesão à afirmação de que não há progresso sem redução da desigualdade entre ricos e pobres, mostrando apoio popular a um dos objetivos da República definidos pela Constituição de 1988. A pesquisa pode surpreender ao revelar que a despeito da onda conservadora que parece crescer em todo mundo, 86% dos entrevistados discordam que as mulheres devem se dedicar à casa e aos filhos e não trabalhar fora. A pesquisa ainda chama atenção para o lugar prioritário que se atribui à fé religiosa para a melhoria de vida, assim como para o combate à corrupção como meio de reduzir desigualdades. Esse dado sugere que para a construção do debate público e da mobilização popular pode ser estratégico estar atento a esses dois temas. Leia a pesquisa aqui.

Uma janela de oportunidade para novas agendas de direitos humanos ※

O podcast Justice Matters, do Carr Center for Human Rights Policy, entrevistou Sarah Margon, diretora da Human Rights Watch em Washington, para discutir os desafios à proteção de direitos humanos em um cenário em que as atrocidades são o novo normal. Para a pesquisadora, a ascensão de novos populistas no Brasil, Hungria, Egito e Estados Unidos pode ser interpretada como uma resposta ao impacto e ao sucesso das ações de ativistas de direitos humanos em buscar responsabilização e transparência de governos. Se, de um lado, ações conservadoras exigem estratégias para barrar retrocessos por parte dos movimentos e da militância, elas também oferecem possibilidades de ação e oportunidades de uma nova agenda de direitos humanos. Para isso, é necessário repensar como construímos uma audiência que escute e questione violações de direitos. Durante anos, a Human Rights Watch trabalhou com fact-finding e levantamento de dados sobre violações de direitos humanos no mundo, contudo a polarização das sociedades e a politização da informação exigem outras narrativas para construir demandas por justiça social. Ouça aqui.  

Essa seleção foi feita por Luísa Luz, Raquel da Cruz Lima e Surrailly Youssef e enviada à lista de assinantes do Transmissão Direitos Humanos entre os endereços cadastrados diretamente em nosso site ou a partir de nossas listas pessoais de contatos. Nós não utilizaremos o seu endereço de email para nenhum outro fim que não envolva a manutenção dessa newsletter. A plataforma MailChimp, que utilizamos para administrar essa lista, coleta dados sobre sua navegação nas mensagens enviadas e nos fornece estatísticas sobre o acesso a conteúdos contidos nela.

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