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Olá!

Neste correio reforçamos a nossa crença de que a militância é mais potente quando conseguimos aliar instrumentos poderosos de diagnóstico de violações de direitos humanos com estratégias inovadoras de luta. 
Nesse sentido, temos destacado a importância do conhecimento histórico para a avaliação de fenômenos como a violência armada e do recorte de gênero e raça, em perspectiva interseccional, para transformar a forma de criação de políticas públicas, inclusive no olhar para masculinidades. No campo da prática, um dos pontos de partida mais ricos é reconhecer que a luta ressignifica experiências de violação de direitos e que a resistência propicia a emergência de transformações sociais até mesmo onde costumes e tradições parecem bastante firmes.

Lembramos que nossa troca não acaba por aqui. Todo mês lançamos um episódio de podcast no Spotify, no iTunes, no Google Podcasts, no Deezer, no YouTube ou no seu tocador favorito. Aproveita para acompanhar nossa série sobre atuar na defesa de direitos dentro das carreiras jurídicas tradicionais. 

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Abraços, 

Luisa, Raquel e Surrailly

Encruzilhada é lugar de decisão: interseccionalidade ★★

Carla Akotirene em artigo para a Carta Capital escreve as encruzilhadas do conceito de interseccionalidade após 30 anos do artigo da feminista negra estadunidense Kimberlé Crenshaw que introduziu essa ferramenta ao abordar a maneira como o judiciário desconsiderava a articulação entre gênero e raça para deixar de reconhecer direitos de mulheres negras. Se o artigo de Crenshaw introduz a temática no campo acadêmico, Sojourner Truth, ao defender a articulação da luta sufragista e abolicionista, já apontava para a experiência de opressão das mulheres negras, desafiando as noções universalistas da categoria de mulher. Nesse artigo, além de realizar uma reconstrução histórica da interseccionalidade e abordar desafios atrelados à sua aplicação prática diante de um epistemicídio do feminismo negro no Brasil, Carla Akotirene discute a escalada nos número de feminicídios de mulheres negras e traz diversas críticas  às políticas públicas de combate à violência contra mulher centradas em respostas punitivas a partir de um olhar interseccional. Leia aqui.

Representatividade negra coletiva e resistência ★★

Em seu "Manifesto por um feminismo negro autônomo e coletivo", publicado pela coordenação do Blogueiras Negras, Charô Nunes e Larissa Santiago discutem se toda forma de "representatividade" das mulheres negras auxilia a causa coletiva e produz realmente efeitos de transformação dos ambientes racistas e exclusivamente brancos. Reforçando o princípio de que o Feminismo Negro deve ser fiel a uma herança de atuação coletiva em prol da autonomia política e emancipação social, elas criticam a existência de uma forma de "representatividade oca", em que a presença de uma única voz negra soberana e individualista em espaços e mídias excludentes apenas reforça a ordem de coisas, tornando-se inócua porque incapaz de promover a pauta de todo o movimento e de dar vazão à diversidade de vozes que o compõem e que são o ponto chave da resistência. Leia aqui.

O poder das armas ※

Em agosto, a revista de esquerda "Dissent" iniciou uma parceria com o podcast Know Your Enemy, dedicado à compreensão do pensamento de direita. Nesse episódio muito instigante, os anfitriões Matthew Sitman (editor e escritor) e Sam Adler-Bell (escritor do The Intercept e outros veículos), e o convidado Patrick Blanchfield discutem eventos recentes de violência nos Estados Unidos revendo a origem histórica da defesa de posse e uso de armas de fogo e a ideologia profundamente racista que ancora essa prática. O episódio provoca reflexões complexas e profundas, baseadas em conhecimento historiográfico e das ciências políticas,  sobre o fundamento da posse de armas, reforçando por exemplo como a natureza violenta do discurso e da prática possui uma função dupla de controle social de extratos da população e de manutenção excludente do poder. Patrick é autor do livro "Gunpower", que aborda justamente a perspectiva de um poder construído por meio da ideologia e da indústria de armas. Ouça aqui.

A militância das mães: do luto à luta ★★

Apesar da dor e do sofrimento de perder seus filhos para um Estado que mobiliza forças policiais militarizadas nas regiões de favela e periferias, Maria de Jesus da Silva, Bruna Mozer, Marilene Araújo e tantas outras mães lutam por justiça e direito à verdade. Essas mulheres buscam força umas nas outras para coletivamente pressionar autoridades públicas e reconstruir a memória da morte de seus filhos. Em um contexto político no qual governadores como Doria e Witzel, e o Presidente Jair Bolsonaro propagam uma licença para a polícia matar, a reportagem ao El Pais mostra que para essas famílias isso não é novidade. Cada uma dessas mulheres conta sua trajetória e compartilha os principais obstáculos para enfrentar a política sistemática de execução forçada de jovens negros. Entre as ações destacam-se as críticas à política de encarceramento em massa, a ausência de investigações imparciais, a permanência dos autos de resistência, bem como a ausência de responsabilização dos policiais pelo sistema de justiça que permanece culpabilizando seus filhos. A atuação dessas mulheres vai além de uma cobrança por reparação: é por visibilidade da história de seus filhos que elas seguem gritando e se mobilizando. Leia aqui.

Rupturas e aproximações depois de Belo Monte ★

Esta reportagem recente publicada pela BBC trata da retomada de laços entre os juruna de Volta Grande, um grupo indígena no Pará atingido pela Usina de Belo Monte, e seus parentes de Mato Grosso, atualmente identificados como yudjá. O grupo originalmente era um só e originário de Volta Grande até sofrer perseguição no início do século XX durante a exploração da borracha, época em que parte do grupo fugiu e se exilou no Mato Grosso, mantendo maior distanciamento da população branca e preservando suas tradições. Parte da indenização pela construção da usina que afetou os rios em suas terras em Volta Grande foi utilizada para promover um intercâmbio entre os dois grupos, permitindo a retomada da língua e da cultura tradicional, de um lado, e a abertura a novas ideias e práticas promovidas pelas indígenas mais jovens de Volta Grande, como a revisão de padrões de divisão do trabalho entre homens e mulheres, de outro. Apesar dessa oportunidade de reencontro, o impacto de Belo Monte sobre o rio Xingu e sobre o modo de vida da população indígena juruna na altura levou o Ministério Público Federal a recomendar a revisão da licença ambiental da concessionária da usina. Leia aqui.

Desconstruindo masculinidades ★

Grupos de homens têm se espalhado pelo Brasil para discutir masculinidades tóxicas, a partir da potente ferramenta da escuta. Pesquisa demonstrou que 72% dos homens não são educados a mostrar fragilidade e a dizer o que sentem. Da mesma forma, muitos gostariam de ter mais recursos para lidar com os problemas que enfrenta no dia a dia. Esses temas são discutidos no documentário "Silêncio dos Homens" produzido pelo grupo Papo de Homem, que discute esse tema e aborda a masculinidade de homens não heterossexuais e transgêneros, bem como os impactos do racismo na construção de uma masculinidade negra. Leia aqui.

Essa seleção foi feita por Luísa Luz, Raquel da Cruz Lima e Surrailly Youssef e enviada à lista de assinantes do Transmissão Direitos Humanos entre os endereços cadastrados diretamente em nosso site ou a partir de nossas listas pessoais de contatos. Nós não utilizaremos o seu endereço de email para nenhum outro fim que não envolva a manutenção dessa newsletter. A plataforma MailChimp, que utilizamos para administrar essa lista, coleta dados sobre sua navegação nas mensagens enviadas e nos fornece estatísticas sobre o acesso a conteúdos contidos nela.

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